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COLUNA | A vida que passa; nós que não vemos

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Por: LAÍS DI LAURO| 15 Julho 2015 | 18h36

É a vida que gira em torno de sentimentos vagos e cores mortas.

É a vida que se passa pela janela no carro veloz, na menina do outro lado da estrada correndo na rua, nas senhoras conversando na esquina da casa.

Calma ou turbulenta. A vida acompanha o ritmo das nossas vontades. Cada um é dotado do dom de traçar, da maneira que bem entender, cada detalhe da vida.

É a vida que perfura os olhos curiosos em busca de respostas. Freneticamente energizada, percorre os lugares mais hostis e revela-se mais perversa do que o imaginável.

Um suspiro que desmonta as estruturas supostamente inabaláveis e faz o homem mais forte cair no chão e implorar perdão. As lágrimas que pervagam o rosto quente e oleoso são formadas com a mesma vitalidade daquele sorriso escancarado. A adrenalina que faz tremer de prazer é a mesma que arranca seu coração da linha de conforto e o injeta de medo. Em meio a suspiros fazemos promessas apaixonados e também entre suspiros sentimos pena de nós mesmos, agonizamos.

É a vida que corre enquanto estamos parados lamentando. Ela se dilui no tempo e espaço a cada instante que deixamos de aproveita-la, a cada segundo em que nos delongamos preocupados demais — autocentrados demais — prestando atenção em nós mesmos em detrimento daquilo que nos rodeia.

As cores vão perdendo a intensidade, os dias vão sendo desperdiçados pela falta de coragem de usufrui-los. O tempo é contatado de trás para frente; quanto mais rápido passa, melhor.

As pessoas perdem o interesse em conhecer novos alguéns, em sair, divertir-se.

As luzes se apagam.

O caos interno silencia de forma efêmera. Só até a próxima oportunidade, repete.

A vida que pulsa sobre a pele nos torna seres humanos, capazes de pensar, escolher, movimentar, experimentar. É ela que nos faz sermos singulares em meio à grandiosidade do universo que nos torna criaturas pequeníssimas.

Ora, quem somos nós além de um aglomerado de sentimentos, desejos e motivações? Estamos o tempo todo dissipando-nos em microfrações insignificantes.

Estão ocupando espaços da eternidade ao invés de nossas histórias. Todos fugindo da vida por medo de viver. É a humanidade se escondendo atrás da própria existência.

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About Laís Di Lauro

Laís Di Lauro. Jornalista em formação. Curiosa, espontânea e comunicativa. Baiana, perdida no RN. Carinha de 17, chatice de 60.

2 comments

  1. Belo texto. Sensível e profundo. Parabéns pela espontaneidade. Bjs.

  2. João Paulo S. Costa

    Que bonito!

    “A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.” – Charles Chaplin

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