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COLUNA | Medo de quê?

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Por: PEDRO VINÍCIUS | 10 Julho 2015 | 15h30

Nunca tive problemas, exatamente, com o medo. Durante toda minha vida, não agi como alguém que pudesse remotamente ser qualificado como “medroso”; gostava de presumir que era destemido, impávido, e que lidava muito bem, obrigado, com meus receios, manipulando-os com desenvoltura.

Mas, agora, há medo o tempo todo. Às vezes, ele irrompe na forma de uma incômoda dor no peito; é uma pressão desafiadora, mãos que suam frias e pálpebras trementes. Em outras ocasiões, é mais como um soco no estômago; há desequilíbrio e tontura, a vista que embaça; tento apoiar-me no que quer que esteja à frente e inspiro expiro inspiro expiro inspiro expiro até o coração voltar a bater em harmonia, até o mundo ganhar cor outra vez.

Parece dramático, eu sei — mas é real, tão real quanto poderia ser um afago, tão palpável quanto poderia ser um tapa.

Sinceramente, não sei do quê tenho medo. Sei que não é medo do escuro; que não é medo da luz ou da água ou de aranhas e cobras ou de carros e aviões. Sei, igualmente, que não é medo de gente, que não é medo, tampouco, do amor.

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Windows, de Seppe123. Fonte: DeviantArt

Tenho pensando bastante nesse medo que me tira o fôlego e enfraquece os joelhos. Começo a pensar que meu medo, talvez, seja de um tipo mais primal; o tipo de temor inerente a cada um de nós, escondido nos vácuos, silêncios e recônditos da alma. Um medo que passamos a vida toda tentando dominar, até que ele emerge, desperta de sua hibernação e nos enlaça, nos desestrutura.

Começo a pensar que meu medo é existencial. Que agora que tenho que segurar as rédeas do meu próprio destino em mãos, passo a compreender que não sou assim tão senhorzinho de mim mesmo quanto imaginava. Que aquela confiança, aquela certeza, talvez não sejam tão certas, afinal de contas.

Não somos armaduras. Somos feitos de pele, ossos, sangue, desejos, temores, sonhos e desilusões. Somos, sobretudo, cérebro; essa estrutura que nos define, que nos peculiariza e, principalmente, que nos permite pensar — mas que nos prega peças com seus mistérios, que nos esconde segredos. Não somos pedra; até queremos a firmeza da rocha, em vão. Somos mais como a água corrente do rio, resultado direto de um tempo imperturbável que não para, não para, não para…

Todos nós temos medos. Somos mestres em guardá-los nos lugares mais sombrios e inalcançáveis da nossa mente, esforçadamente tentando desintegrá-los, insistentemente tentando fingir que não existem. Existem, no entanto. Vivem à espreita, é verdade, como lembranças fugidias que reaparecem de súbito nas horas mais inapropriadas. Dê uma brecha, um mero passo em falso, e o medo se libertará das amarras que você forjou, abocanhando-o como a fera do circo que ataca seu domador.

Ainda procuro minha resposta. Não conheço meu medo, mas ele me conhece — sabe quem sou, o que desejo, para onde pretendo ir. Indissociável, ele é simbioticamente a mim ligado, quer eu queira ou não.

No fim, a questão não é “medo do quê”. No fim mesmo, realmente, é preciso que se pergunte: Quem é você? Você é seu medo ou o que você faz com ele?

About Pedro Vinícius

Pedro Vinícius tem 19 anos e mora, atualmente, em Natal - RN. Criou o "O Livreiro" em 2012 com o intuito de difundir informações a respeito do mercado editorial e suas impressões sobre leituras. Além de dividir seu tempo como estudante de Jornalismo na UFRN e blogueiro, dedica-se a - tentar - escrever os próprios livros, poemas, contos e crônicas.

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